sexta-feira, 28 de maio de 2010

Mata Atlântica comemora seu dia e celebra ano da biodiversidade

Terra do mico-leão-dourado, da onça-pintada, do bicho-preguiça. Enfeitada pela delicadeza e a beleza das orquídeas, dos ipês, dos jacarandás e, ao mesmo tempo, premiada com a imponência dos jequitibás. Essas são apenas algumas das riquezas naturais da Mata Atlântica, considerada patrimônio nacional pela Constituição Federal e que, desde 1999, por meio de Decreto Presidencial, ganhou um dia especial de comemorações: 27 de maio.
A data escolhida para o Dia Nacional da Mata Atlântica faz referência a 27 de maio de 1560, dia em que o Padre Anchieta assinou a Carta de São Vicente, documento no qual descreveu, pela primeira vez, a biodiversidade das florestas tropicais.
Em 2010 – instituído pela ONU o Ano Internacional da Biodiversidade -, as comemorações da Mata Atlântica aconteceram em conjunto com a celebração do Dia Internacional da Biodiversidade, em 22 de maio.
Para a data, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) organizou o Seminário sobre Sustentabilidade e Conservação da Mata Atlântica, em São Paulo, no Parque Ibirapuera, em parceria com o Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e a Rede de ONGs da Mata Atlântica, e com o apoio da GTZ – Projeto Proteção da Mata Atlântica II, da SOS Mata Atlântica/Viva a Mata e da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo. Essas instituições integram o Pacto pela Recuperação da Mata Atlântica, que pretende recuperar 15 milhões de hectares de matas até 2050.
O Seminário serviu para solicitar aos candidatos às eleições presidenciais deste ano que assumam compromissos explícitos de proteção à Mata Atlântica e apresentem posição firme no cumprimento das metas de criação de unidades de conservação e na recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), principalmente em topos de morros e às margens dos rios, e das Reservas Legais dos imóveis rurais.
No encontro, a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica entregou o Prêmio Muriqui às entidades públicas e privadas que se destacaram em benefício da proteção da biodiversidade, do desenvolvimento sustentável ou do conhecimento científico e tradicional na Mata Atlântica. O prêmio foi instituído em 1993 e já homenageou importantes nomes que contribuíram na defesa da Mata Atlântica, entre eles Paulo Nogueira Neto, José Lutzemberger e Russell Mittermeier.
Recuperação urgente - A Mata Atlântica é um dos conjuntos de ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo. É composta por formações florestais, além de campos naturais, restingas, manguezais e outros tipos de vegetação considerados ecossistemas associados. Sua área original cobria cerca de 15% do território nacional, uma superfície equivalente à aproximadamente 1,3 milhões de Km². Atualmente, a região da Mata Atlântica concentra cerca de 120 milhões de habitantes, abrange integral ou parcialmente quase 3.400 municípios de 17 estados, inclusive as maiores metrópoles do País, como Rio de Janeiro e São Paulo.
Mesmo assim, é o conjunto de ecossistemas mais alterado em sua cobertura original devido à intensa exploração econômica e ocupação, desde o período colonial, com a especulação do pau-brasil, o cultivo da cana de açúcar e o inicio da mineração do ouro, seguido do ciclo do café e da industrialização. Reduzida a aproximadamente 27% de sua área original e distribuída em milhares de pequenos fragmentos, os remanescentes de vegetação nativa ainda guardam altos índices de biodiversidade de fauna e flora e prestam inestimáveis serviços ambientais de proteção de mananciais hídricos e de contenção de encostas.
Segundo o recente levantamento divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Fundação SOS Mata Atlântica, com dados do período entre 2005 e 2008, restaram apenas 7,91%(102 mil km²) de área remanescente bem conservada em fragmentos acima de 100 hectares – a maior parte em propriedades privadas, concentrados em regiões serranas e de difícil acesso e exploração no Sul e Sudeste.
Das 396 espécies de animais consideradas oficialmente ameaçadas de extinção no Brasil, 350 são da Mata Atlântica. Em 1989, esse número era 171. Atualmente, a Mata Atlântica é detentora de 65% das espécies da fauna e de mais de 50% das espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção. No caso das aves, um estudo publicado pela revista britânica Nature, aponta que pelo menos 88 espécies de aves endêmicas da Mata Atlântica estão ameaçadas.
Com tantas riquezas, mas também com tantas fragilidades, a situação delicada da Mata Atlântica requer conservar o que restou, e principalmente investir em políticas de recuperação. Para isso, o Programa da Mata Atlântica do MMA conta com o apoio financeiro do governo alemão que irá investir seis milhões de euros nesta fase inicial, que vai de 2010 a 2012, para consolidar o Sistema de Unidades de Conservação e Áreas Protegidas da Mata Atlântica; recuperar ecossistemas alterados e áreas remanescentes; e promover o uso sustentável dos recursos naturais da região.
Parte dos recursos será aplicada para fomentar os planos municipais de recuperação e uso da Mata Atlântica. A idéia é orientar tecnicamente e criar o estímulo necessário para que os municípios se antecipem e iniciem a elaboração e a execução de seus planos, pois, mesmo que se trate de um processo voluntário, os planos municipais estão previstos na Lei da Mata Atlântica (nº 11.428, de 2006) e são pré-requisito para que os prefeitos acessem os recursos do Fundo Mata Atlântica, já em processo de regulamentação.
De acordo com o diretor de Florestas do MMA, João de Deus, a lei prevê que os municípios façam os planos sozinhos, buscando recursos de parceiros. “Como a Mata Atlântica passou por um processo de intervenção muito acentuado e hoje o percentual de remanescentes está muito distante do mínimo entendido como satisfatório para garantir a manutenção a longo prazo dos processos ecológicos – em torno de 35% a 40% da biologia da conservação -, acredito que é necessário fazermos um grande pacto entre sociedade civil, órgãos governamentais e, principalmente, com os municípios”, ressalta o diretor, lembrando que os prefeitos interessados podem buscar apoio do Fundo Nacional do Meio Ambiente, e do próprio Programa Mata Atlântica.
Conquistas – Com a aprovação das últimas resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), no final de 2009 e início de 2010, o MMA conseguiu concluir todo o processo de regulamentação da Lei Mata Atlântica. Foram instituídas regras para as vegetações que faltavam: restinga (nº 417/2009) e campos de altitude (nº 423/2010). “Hoje podemos dizer que Lei da Mata Atlântica está com plena condição de ser operada em toda a sua dimensão”, afirma João de Deus.
Na prática, a aprovação das Resoluções do Conama acaba com uma situação de tensão que havia, pois os órgãos ambientais não podiam licenciar nada nessas áreas enquanto não existisse a regulamentação prevista na lei. “Agora a lei permite licenciar para campos de altitude e restinga, que podem ter conversões desde que a vegetação esteja em estágio inicial. Se a vegetação estiver em estágio médio ou avançado existem algumas limitações, como o licenciamento para áreas de utilidade pública ou interesse social. O que a lei veda é a conversão de remanescentes que sejam caracterizados como primário ou em estágio avançado”, explica João de Deus.
A grande importância das Resoluções é que elas definem tecnicamente e de forma clara como classificar essa vegetação, já que lei estabelece os limites de uso com base nessa caracterização. “Entre 2009 para 2010 houve um ganho importante ao completar essa regulamentação, não só para a segurança jurídica, mas principalmente para dar efetividade à lei”, comemora o diretor.
Outra conquista é uma proposta de resolução que trata da metodologia de recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) que deve ser votada em plenária do Conama em agosto. “No entanto, já podemos comemorar o feito de ter sido concluído esse processo de discussão muito delicado e que começou em 2007. Para os planos municipais de recuperação de Mata Atlântica é essencial, pois essa Resolução vai estabelecer parâmetros claros de como se deve proceder, do ponto de vista metodológico, para fazer a recuperação dessas áreas”, diz João.
Atualmente, o processo é muito burocrático para quem deseja fazer voluntariamente recuperação de APP, o que acaba sendo desestimulante. “Isso porque o cidadão corre o risco de ser autuado por fazer intervenção indevida em APP”, explica o diretor. Para não correr o risco de ser autuado pelo Ibama, pela Polícia, ou pelo órgão ambiental estadual, o caminho é contratar um técnico para fazer um projeto registrado em órgão ambiental e solicitar licença ambiental para recuperar a APP.
“Entendemos que isso é um contra-senso. O cidadão que quer voluntariamente ajudar a recuperar APP está sujeito a ser multado. A Resolução subverte esse processo. Primeiro para eliminar esses entraves de ordem burocrática que não se justificam. Depois, pelo caráter pedagógico, pois traz um procedimento que serve de instrumento de orientação técnica para que as pessoas, mesmo voluntariamente, seguindo a Resolução, tenham um padrão que garanta a efetividade desse processo, até para evitar que sejam feitos investimentos inadequados que dêem retorno pequeno de preservação”, destaca o diretor.
Além disso, quando for aprovada pelo Conama, a Resolução permitirá que o proprietário, seja ele pequeno, médio, ou grande – que de alguma maneira degradou área de APP e, por isso, tem um passivo ambiental, conforme o Código Florestal -, tenha condições de, seguindo as orientações da norma, liquidar esse passivo.
Para a secretária de Biodiversidades e Florestas do MMA, Maria Cecília Wey de Britto, medidas como essas demonstram que, mesmo sendo a região mais ameaçada e fragmentada, a reversão do atual cenário da Mata Atlântica já é uma história de sucesso da sociedade. “Nos últimos 20 anos, a sociedade civil tem pressionado os governos federal, estaduais e municipais para regulamentar um arcabouço jurídico que impeça o desmatamento e, simultaneamente, estimule pesquisa científica e a criação de unidades de conservação.”
Segundo ela, este tipo de movimento já colhe resultados positivos, como o aumento de mata nativa em algumas áreas de vegetação remanescente, como em São Paulo, por exemplo. “Com o apoio de inúmeras instituições públicas e privadas estamos saindo de uma situação caótica para um cenário que permite vislumbrar presságios de boas perspectivas de melhora”, explica.
Ocupação irregular – A maior parte das áreas sensíveis no Brasil está em área de ocorrência da Mata Atlântica e tem uma vinculação direta com o relevo acidentado. O mapa digital do terreno do Brasil mostra que temos uma topografia relativamente plana na maior parte do território e uma área de escarpas extremamente acentuadas na faixa litorânea.
Na Mata Atlântica existem esses terrenos de maior inclinação e, consequentemente, maior suscetibilidade a escorregamentos e deslizamento de blocos de rocha. O resultado são os desastres recentes e sucessivos nessas áreas de urbanização que ocorreu de forma inadequada e irregular.
Com os graves casos de desabamentos no Rio de Janeiro e de inundações em São Paulo ocorridos esse ano, o diretor João de Deus percebe que, pela primeira vez, mudou de foco a postura do Governo que, de modo geral, sempre teve a tendência de procurar medidas para regularizar essas ocupações e acabar com a ilegalidade.
“Hoje não é uma questão simplesmente de formalizar, de regularizar, mas avaliar que em determinadas áreas a ocupação se deu de forma inadvertida e regularizar significa manter as pessoas num risco que é inadmissível. Apesar de impopular e difícil de implementar, já é percebido que é necessário assumir a remoção das ocupações em áreas inadequadas”, adverte João.
Publicação - Além de cuidados, a exuberância da vegetação e as belezas cênicas também inspiram a necessidade de disseminar informações sobre o bioma. Para isso, a Secretaria de Biodiversidades e Florestas (SBF) do MMA reuniu em 408 páginas o conhecimento que existe sobre modelos de conservação, de valorização e de utilização sustentável da biodiversidade e do patrimônio genético no livro Mata Atlântica – Patrimônio Nacional dos Brasileiros.
A publicação está concluída e deve ser lançada no início de junho, junto com as comemorações da Semana do Meio Ambiente. Ao todo serão impressos 10 mil exemplares e a distribuição será feita pelo CID – Ambiental do MMA para prefeituras, escritórios regionais do ICMBio nas unidades de conservação, para parceiros da Rede ONGs da Mata Atlântica e também para autoridades dos três poderes.
O livro traz informações importantes para o planejamento e desenvolvimento de políticas públicas e demonstra que enchentes e deslizamentos de terra, como os ocorridos em Santa Catarina no final de 2008 e em Angra dos Reis e São Paulo no início de 2010, são exemplos dos problemas provocados pela falta de planejamento e ocupação inadequada das áreas de risco, muitas delas consideradas APP, como é o caso das encostas com declividade superior a 45º, dos topos de morro e das margens de nascentes, riachos e rios.
O coordenador do Núcleo Mata Atlântica e Pampa da SBF, Wigold Schäffer, responsável pela organização do livro e um dos principais colaboradores da publicação, esclarece que o objetivo é mostrar as experiências bem sucedidas que estão sendo implementadas nos estados em termos de conservação e o uso sustentável. Também tem o objetivo de motivar ações de recuperação da biodiversidade, haja vista os altos índices de biodiversidade mesmo na pequena área de vegetação remanescente.
“O livro mostra o lado positivo do que está sendo feito e prova que podemos reverter a degradação dos 500 anos do modelo econômico que optamos, por outros 500 anos dedicados à recuperação e desenvolvimento sustentável, inclusive com a participação dos cidadãos”, destaca Wigold.
Segundo ele, isso não é difícil. “A recuperação é extremamente rápida. Apenas interrompendo a degradação e contando somente com a reação da própria natureza, a vegetação nativa volta num período de três a cinco anos, o que já garante alguns dos principais serviços ambientais, como a proteção dos recursos hídricos e das encostas”, garante. Para acelerar o processo, uma alternativa é plantar mudas de espécies nativas pioneiras que são de crescimento mais rápido e, ao mesmo tempo, reintroduzir outras espécies que teriam dificuldade de nascer tão rapidamente no local, aumentando assim a biodiversidade.

Fonte: Melissa Silva/ MMA

Países da Amazônia Sul-Americana debatem estratégias de preservação em fórum internacional

Até o próximo dia 6 acontece o II Fórum Internacional de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Sul-Americana. Estão previstas atividades no Brasil, Peru e Bolívia, sendo que o encerramento será em Porto Velho, Rondônia.
Os três países discutem a preservação da Amazônia e o crescimento socioeconômico da região. O evento é promovido pela Federação Nacional dos Engenheiros, FNE, e a ONG Engenheiros Solidários.
A geração de energia sustentável é um dos temas a serem abordados, assim como a produção sustentável, o meio ambiente, ciência e tecnologia. As discussões levarão em conta a realidade de todos os países da Amazônia Sul-Americana, Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Guiana, Suriname e Venezuela.
Segundo a organização, além das palestras, os participantes vão realizar visitas técnicas às usinas hidrelétricas do Rio Madeira, Jirau e Santo Antônio e nas obras da Estrada do Pacífico. “A Estrada do Pacífico, ao longo de seus mais de 2 mil quilômetros, tem soluções inovadoras de engenharia e está em sua fase final de acabamento. É importante acompanhar de perto a construção estratégica ao desenvolvimento da região”, destacou o presidente da ONG Engenheiros Solidários, Sebastião Fonseca.

Fonte: Ambientebrasil

Países ricos doarão US$ 4 bilhões para combater o desmatamento

Apesar da crise econômica, os países ricos doarão quatro bilhões de dólares até 2012 para combater o desmatamento, um dos principais fatores de aquecimento do planeta, anunciou-se nesta quinta-feira, em Oslo, onde é realizada uma reunião internacional sobre o tema.
Esta quantia representa um aumento de 500 milhões de dólares em relação aos 3,5 bilhões prometidos por seis países – Estados Unidos, Noruega, Japão, Reino Unido, França e Austrália – durante a conferência de Copenhague, em dezembro de 2009.
Chegar a esta quantia foi possível pela entrada em cena de novos Estados, entre eles a Alemanha (350 milhões de euros) e a Dinamarca, indicou a Noruega, o país anfitrião da Conferência sobre Florestas e Clima.
“Nesses tempos de globalização dos mercados, as florestas valem mais mortas do que vivas. Nós nos comprometemos a mudar essa equação”, declarou o primeiro-ministro norueguês Jens Stoltenberg.
Segundo o Painel Intergovernamental de Especialistas da ONU sobre a Evolução do Clima (IPCC), o desmatamento representa 17% das emissões globais de gás de efeito estufa, algo mais que o setor do transporte.
A luta contra o desmatamento pode representar um terço das medidas necessárias até 2020 para limitar a 2 graus centígrados o aquecimento do planeta, segundo a Noruega, país pioneiro na questão junto com a França, que organizou, em março passado, uma primeira conferência em Paris.
“Frear o desmatamento e a degradação das floretas permite as reduções mais importantes, as mais rápidas e as mais baratas das emissões mundiais”, acrescentou Stoltenberg.
Indagado sobre a capacidade dos países desenvolvidos para cumprir com seus compromissos em tempos de problemas orçamentários, Stoltenberg enfatizou a necessidade de mobilizar diferentes fontes de financiamento, além das ajudas públicas.
O primeiro-ministro norueguês citou financiamentos alternativos (a taxa das emissões de CO2, imposto sobre as passagens de avião) ou fundos privados voluntários. O riquíssimo financista George Soros, presente em Oslo, disse estar disposto a dar seu apoio.
Em Copenhague, Noruega e Estados Unidos prometeram um bilhão de dólares (cada um), a França 375 milhões, o Japão 500 milhões, o Reino Unido 480 milhões e a Austrália 120 milhões.
“É estimulante ver essas promessas na mesa, mas é preciso considerar de que maneira o dinheiro será gasto”, afirmou Susanne Breitkopf, uma dirigente do Greenpeace, que deseja privilegiar a preservação das floretas virgens ao invés de adotar medidas de correção.
O encontro de Oslo serviu também para gerar uma associação internacional que agrupa meia centena de Estados que têm a intenção de criar um banco de dados sobre as medidas contra o desmatamento, seu financiamento e seus resultados.
Entre 2000 e 2010, o desmatamento provocou uma perda bruta (sem contar o reflorestamento) de 13 milhões de hectares de florestas anuais, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Fonte: Yahoo!



Minas Gerais lidera desmatamento na mata atlântica

A exploração de carvão para siderurgia fez com que o Estado de Minas Gerais se tornasse o líder do desmatamento na mata atlântica entre 2008 e 2010. Os dados são do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, divulgado na quarta-feira (26) pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e pela ONG SOS Mata Atlântica.
O atlas avaliou a mudança na cobertura florestal do bioma mais ameaçado do país (do qual restam apenas 7,9% da vegetação original) em nove Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A área avaliada equivale a 72% da área total do bioma.
No período, foram desmatados 20.867 hectares. Houve queda na média do desmatamento no período, embora Minas tenha aumentado sua derrubada em 15% (12.524 hectares) e o Rio Grande do Sul, em 83% (1.897 hectares).
Em Santa Catarina, tradicional Estado campeão do desmatamento, a derrubada caiu em 75%, apesar da implementação de um código ambiental estadual que permite a redução das áreas de proteção permanente. Segundo Flávio Ponzoni, do Inpe, coordenador técnico do atlas, as chuvas fortes que afetaram o Estado em 2008 são provavelmente a causa da diminuição. O relatório está disponível na internet.

Fonte: Claudio Angelo/ Folha.com

Brasil desmata por dia o equivalente à área que será alagada por Belo Monte

O total de área a ser alagada pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte corresponde a menos do que é desmatado em um dia na Amazônia, afirmou nesta quinta-feira (27) o professor da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília (UnB), Ivan de Toledo Camargo, durante debate sobre energias renováveis, no 27º Fórum Brasil Europa, promovido pela UnB em parceria com instituições internacionais.
“Belo Monte equivale a menos do que é desmatado diariamente na Amazônia. Nos últimos anos, em média, todo dia são pelo menos 500 quilômetros quadrados a menos de florestas. É uma dimensão muito próxima ao que está previsto em termos de área a ser alagada por essa hidrelétrica, que garantirá boa parte da energia a ser consumida no país”, disse o professor. Camargo integrou a Câmara de Gestão da Crise durante o racionamento de energia em 2001.
O engenheiro elétrico disse estar mais preocupado com os estragos que serão provocadas pelas pessoas que serão atraídas para a região por causa da usina.
Outro assunto abordado por ele foi o uso de energia solar proveniente de painéis pelo Brasil. “É um equívoco encher o país de painéis de energia solar. Esse tipo de energia só é indicado para as comunidades isoladas do país. Apenas discursos vazios e sem dados defendem isso”, argumentou.
“Nem a energia solar nem a eólica são a solução para o Brasil. Primeiro por serem sazonais, ficando interrompidas em períodos do ano. Precisamos investir pesado nas eólicas, mas tendo em mente a necessidade de sistemas complementares, provavelmente à base de hidrelétricas e de biomassa”, argumentou.
Ele sugere que se aproveite o bagaço de cana-de-açúcar nesses sistemas complementares. “Na Europa, a energia eólica é complementada por usinas térmicas. Temos, no Brasil, condições de usar o bagaço da cana, que atualmente tem apenas 10% de aproveitamento”, acrescentou.
“O Brasil possui 9 milhões de hectares dedicados a plantações de cana-de-açúcar. Em 2020 serão 12 milhões. Ou seja: teremos ainda muita energia que poderá ser gerada a partir da biomassa”, avalia o professor.
 
Fonte: Pedro Peduzzi/ Agência Brasil

ONG declara ‘extinção oficial’ de espécie de ave de Madagascar

O mergulhão do Lago Alaotra (Tachybaptus rufolavatus) foi declarado oficialmente extinto nesta semana pela Birdlife International, uma ONG conservacionista. Redes de pesca de náilon e a invasão de peixes carnívoros exóticos em seu habitat foram as causas do desaparecimento da espécie.
O mergulhão do Lago Alaotra (Tachybaptus rufolavatus) foi declarado oficialmente extinto nesta semana pela Birdlife International, uma ONG conservacionista.

Fonte: G1

São Paulo ocupa 117ª posição em ranking mundial de qualidade de vida

A cidade de São Paulo ocupa a 117ª posição em um ranking de qualidade de vida divulgado nesta quarta-feira (26) pela consultoria internacional em recursos humanos Mercer.
Todos os anos, a empresa divulga a lista, que em 2010 inclui 221 cidades ao redor do mundo. O ranking leva em conta aspectos como política, sociedade, economia, saúde, saneamento, escolas, serviços públicos, transporte e moradia.
Nesta relação, para o qual os dados foram coletados entre setembro e novembro de 2009, Viena, capital da Áustria, continua no topo da lista e Bagdá, capital do Iraque, é a última colocada.
São Paulo aparece atrás das outras duas cidades brasileiras incluídas no ranking, Rio de Janeiro (116º) e Brasília (104º).
Como foram incluídas várias cidades este ano, não é possível fazer uma comparação com o posicionamento das cidades no ano passado.
Qualidade de vida – Seguindo o padrão dos anos anteriores, as cidades europeias continuam dominando o topo do ranking. Depois de Viena, Zurique e Genebra, ambas na Suíça, ocupam a segunda e a terceira posições, nesta ordem.
“Os padrões de qualidade de vida permaneceram relativamente estáveis em um nível global em 2009 e na primeira metade de 2010, mas em certas regiões e países a recessão econômica teve um impacto notável no clima dos negócios”, afirmou Parakatil.
Segundo o pesquisador, enquanto que a qualidade de vida permaneceu estável nas cidades americanas, houve um declínio nas Américas Central e do Sul “devido à instabilidade política, aos problemas econômicos e à falta de energia em certos países”.
“Altos índices de criminalidade também continuam sendo um dos maiores problemas em muitas cidades da região”, acrescentou.
O local das Américas Central e do Sul com a melhor colocação no ranking de qualidade de vida é Pointe-à-Pitre, em Guadalupe, no 62º lugar, seguido de San Juan, em Porto Rico (72º), e a capital argentina, Buenos Aires (78º).
Guadalupe, no Caribe, é um território ultramarino da França – ou seja, faz parte da União Europeia. Pointe-à-Pitre é considerada a capital econômica do arquipélago.
‘Ecocidades’ – Esta é a primeira vez que a Mercer divulga também uma segunda lista, das “ecocidades”, e a performance de São Paulo neste ranking é ainda pior, ficando no 148º lugar, enquanto Rio de Janeiro e Brasília ficaram respectivamente em 112º e 109º colocados.
A cidade no topo da lista dos locais mais ecológicos é Calgary, no Canadá, enquanto que Porto Príncipe, no Haiti, ficou em último.
Várias outras cidades latino-americanas estão à frente das brasileiras nesta lista, como Montevidéu, no Uruguai (70º lugar), Buenos Aires (83º), e Assunção, no Paraguai (90º).
De acordo com um dos responsáveis pela pesquisa, Slagin Parakatil, “o status ecológico de uma cidade ou sua atitude em relação à sustentabilidade podem ter um impacto significativo na qualidade de vida de seus habitantes”.

Fonte: G1

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Árvores, cada vez mais sufocadas nas grandes cidades


Que a arborização nas cidades é benéfica e positiva, isto não nos resta dúvidas, o que complica é quando as árvores são cultivadas da forma errada, em especial na escolha da espécie para dividir os espaços nas calçadas com a população.
Infelizmente é freqüente encontrarmos árvores em locais irregulares nas grandes cidades, acarretando em esbarrões, tropeções e muitas vezes gerando fraturas e machucados nos pedestres, em especial os de maior idade. As pobres ficam sufocadas, pressas em espaços muito pequenos e são obrigadas a ocupar mais espaço nas calçadas e quebrar o que tiver pela frente para suas raízes se acomodarem melhor.
O correto seria que todas as árvores que foram ou serão plantadas respeitassem um padrão de plantio para evitar tais transtornos na comunidade, não somente os tombos e tropeções, mas também incidentes com a rede elétrica. Antes de plantar árvores nas calçadas é necessário levar em conta que: elas precisam de espaço para receber água e para as raízes crescerem sem estragos, o local do plantio deve respeitar a metragem exigida pela Lei do Passeio Livre, que é de 1.20m de largura e se atentar a espécie que será plantada. Uma ótima solução para tirar suas dúvidas com relação a qual tipo de árvore poderá ser plantada, é procurar o Departamento de Meio Ambiente de sua cidade e verificar quais as espécies autorizadas e/ou sugeridas por eles, muitas vezes eles até doam as mudas; acesse os sites de algumas companhias de energia elétrica que contem toda a informação sobre quais espécies plantar e no site da SVMA (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/publicacoes_svma/index.php?p=3789) o Manual Técnico de Arborização Urbana, que explica detalhadamente o jeito correto de plantar, além de características das espécies que se adaptam bem às vias urbanas.
A solução para o plantio correto já temos, o problema é que por falta de controle no passado, até mesmo os governos plantavam errado. Espécies como o ficus elástica foram espalhadas pela cidade, sem canteiro, sem espaço para seu desenvolvimento e sem a percepção de que, quando crescidas, espalhariam sua vegetação pelas ruas. Isso não só danifica as vias, como adoece as plantas, sem espaço em seu solo ela fica sufocada, e adoecer.
Na cidade de São Paulo, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente criou um programa inédito na cidade desde janeiro, em um projeto piloto na região da subprefeitura da Lapa, na Zona Oeste da capital. O projeto Identidade Verde tocado pela Secretaria da Coordenação das Subprefeituras, é especificamente voltado para a catalogação e cuidado de árvores em ruas e calçadas. O programa é composto por três estágios: no primeiro há a catalogação das espécies, junto com a contagem de cada exemplar. Depois, vem o planejamento das ações cabíveis – poda, cuidado com árvores doentes, plantios de mudas. A terceira etapa é uma execução integrada de todos os serviços capazes de ajudar para que todos os passos deem certo. É um programa de larga escala com sistema minucioso.
O Identidade Verde pesquisou, até agora, uma área verde de 1.5 milhão de m², e mais de 40 vias tiveram suas espécies cadastradas, totalizando 3.409 árvores. Nesta fase, foi possível detectar que um dos principais fatores de quedas de árvores é a limitação de espaço para o desenvolvimento de raízes sadias. Em quase três meses foram feitas 65 ampliações de canteiros. Até o fim do ano, a meta é que todas as 31 subprefeituras coloquem o projeto em prática.
Desta forma, o que não podemos é esquecer os inúmeros benefícios que as árvores nos trazem, mas que haja um cuidado com o seu plantio para não gerar problemas a elas próprias e a população em geral. Conscientizar as pessoas e os órgãos competentes cuidar das árvores já plantadas é o nosso dever.



De vilão a herói, é esta a realizada do chuveiro elétrico

De vilão a herói é este o caminho do chuveiro elétrico. Tido como o principal vilão da conta de luz e presente em 73% dos lares brasileiros, seu status muda devido a uma pesquisa do Centro Internacional de Referência em Reuso da Água (CIRRA), da Escola Politécnica da USP, que mostra que tomar banho neste modelo de aparelho é mais econômico do que em equipamentos dotados de aquecedores solares e a gás.
A base para os dados apresentados no estudo foi de um banho de oito minutos, com o chuveiro elétrico o custo médio é de R$ 0,30. O mesmo banho sai por R$ 0,46 com aquecedores solares tradicionais, ou seja, 53% mais caro. Com aquecedores a gás, o custo é de R$ 0,59 (96% a mais). Com um boiler elétrico, ao custo de R$ 1,08 o mesmo banho sai 260% mais caro do que o chuveiro elétrico.
A conclusão sobre a “economia” dos chuveiros elétricos se veio através do consumo de água dos diversos sistemas de aquecimento. De acordo com o estudo, a média anual do consumo de água no chuveiro elétrico foi de 4,2 litros por minuto. Mas no aquecedor a gás, a média foi de 8,7 litros por minuto. Ou seja, 107% maior que o consumo do chuveiro elétrico. Já o aquecedor solar obteve uma média de 8,4 litros por minuto (100% maior do que o chuveiro elétrico) e o boiler elétrico, 8,5 litros por minuto (102% maior do que o chuveiro elétrico).
Os resultados fazem parte do estudo Avaliação do consumo de insumos (água, energia elétrica e gás) em chuveiro elétrico, aquecedor a gás, chuveiro híbrido solar, aquecedor solar e aquecedor de acumulação elétrico, a pesquisa teve apoio do Grupo de Chuveiros Elétricos da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
Com a afirmação de que os antigos vilões agora são heróis, é importante distinguir que o fato de um aparelho elétrico fornecer energia mais barata que as formas renováveis, não isenta o efeito positivo ao meio ambiente em que estas alternativas são usadas em outros casos.



Sacolas problema ou solução? Opte pelas retornáveis

Nos dias de hoje é comum, quase unânime que as pessoas achem a vida que temos hoje ser muito melhor que a do passado. Eu, por muito tempo pensava o mesmo, imaginava como seria a vida sem telefone, celular, televisão, computador, internet, carro, avião, enfim, inúmeras descobertas que mudaram a forma de viver, ganhamos tempo, conquistamos o espaço, aumentou nossa expectativa de vida e lidamos melhor com a distância. Porém, a cada dia vejo que estava enganada; primeiro o relacionamento pessoal era mais aberto, receptivo, sincero; as famílias eram mais unidas, o respeito ao próximo mais exigido e o principal para mim: a relação com o meio ambiente era natural e respeitosa com os seus ciclos.
Nossos país e avós antigamente ao ir ao supermercado, feira, mercado traziam os produtos comprados em carrinhos, sacolas de pano, sacos de papel. Esta era a alternativa que havia para as pessoas na época poder carregar suas compras. Com o avanço tecnológico, o incentivo ao consumo e a busca pela “facilidade” entrou no mercado as sacolas plásticas – aquelas que deveriam ser a solução se transformaram em problema.
Só para termos uma idéia do problema que temos, menos de 1% de todas as sacolas plásticas são recicladas no mundo, as demais são jogadas em lixões, aterros sanitários, rios, lagos, oceanos e sabe se mais aonde. Em média o tempo de decomposição destas sacolas é de 100 a 400 anos e elas jogadas no local errado trazem sujeira, poluição e morte. As sacolas são “arrastadas” para inúmeros lugares e em sua maioria vão para os mares e oceanos, existe registro de sacos plásticos em todos os oceanos em todas as partes do mundo. Eles se degradam com o passar do tempo se decompõe em petro-polímeros menores e mais tóxicos, tendo como consequência à contaminação dos solos e vias pluviais, além de fazer parte da cadeia alimentar de varias espécies, chegando a mais de 200 espécies da fauna marinha que morre devido à ingestão desta “iguaria”.
Mas o que podemos fazer para mudar isso? Algumas redes de supermercados em nosso país têm incentivado o não consumo destas sacolas, oferecendo descontos para aqueles clientes que optam em não as utilizar ou a cobrança do uso das sacolinhas. Mas isto não basta, a mudança tem que vir de nós. Levar nossa própria sacola às compras é um hábito saudável, que podemos adotar com uma pequena mudança na nossa rotina. Reduza. Reutilize. Recicle!!
O uso de sacolas plásticas retornáveis evita desperdício de plástico e o descarte de um lixo que leva até 400 anos para se decompor na natureza. Para termos idéia da economia, se usarmos sacolas retornáveis, chegamos a economizar 6 saquinhos plásticos em uma semana, 24 no mês, 288 por ano e a mais de 22 mil no decorrer da vida. Só a China economiza por ano cerca de 37 milhões de barris de petróleo com a proibição do uso das sacolas. Além da China, temos Bangladesh, Canadá, Irlanda, Ruanda, Quênia, Israel, Canadá, Índia, Tanzânia, África do Sul entre outros.
Ao adquirir esta idéia, você está se propondo a reduzir seu impacto no meio ambiente e colaborando com a preservação do planeta. Não pense que sua ajuda é pequena, é na junção de atitudes como esta entre milhares de pessoas que fazemos a diferença.

Aumenta a geração de lixo dos brasileiros

O povo brasileiro se iguala aos europeus na quantidade de lixo gerado. Este aumento possivelmente ocorreu devido a melhora do poder de compra dos brasileiros, e isto faz com que a população do País produza cada vez mais lixo inorgânico, porém a implantação de programas de coleta seletiva e os níveis de reciclagem não crescem na mesma medida.
Os dados fazem parte do estudo Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2009, com dados obtidos pelo jornal Estado de São Paulo. A média de geração de lixo no Brasil hoje é de 1,152 quilo por habitante ao dia, padrão próximo aos dos países da União Europeia (UE), cuja média é de 1,2 kg ao dia por habitante. Nas grandes capitais, esse volume cresce ainda mais: Brasília é a campeã, com 1,698 kg de resíduos coletados por dia, seguida do Rio, com 1,617 kg/dia, e São Paulo, com 1,259 kg/dia. Além disso, o volume de lixo cresceu 7,7% em 2009 - foram 182 mil toneladas/dia produzidas ante 169 mil toneladas/dia no ano anterior.
O estudo, anual, abrange 364 municípios e foi realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), entidade que reúne as empresas de coleta e destinação de resíduos. "Alcançamos um padrão europeu de geração de resíduos e estamos nos aproximando dos americanos (2,8 kg por habitante/dia). Infelizmente, isso está acontecendo sem alcançarmos o mesmo grau de desenvolvimento desses países", afirma Carlos Roberto da Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe.
De acordo com o levantamento, 56,8% desse lixo vai para aterros sanitários, 23,9% vai para aterros controlados (que não possuem tratamento de chorume) e 19,3% termina em lixões. Os aterros das grandes cidades, no entanto, caminham para a saturação.

Sua empresa sabe calcular o quanto ela emite?

A empresa na qual você trabalha decidiu que quer reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. Sensacional. Decisão tomada, qual o próximo passo? Antes de sair trocando o gerador movido a diesel por um movido a biomassa ou incentivando seus funcionários a fazer isso ou aquilo, que tal saber exatamente o quanto a sua companhia emite e qual a origem dessas emissões? É a fábrica, a frota de veículos ou a rede de fornecedores? Sem ter nas mãos essas informações fica difícil levar à frente ações consistentes.
Nesta quinta-feira, na sede da FGV, em São Paulo, profissionais de 18 empresas começam a ser treinados para aprender a fazer aquilo que foi batizado de “inventário de emissões”, ou seja, calcular os setores que mais emitem nas suas companhias – e aí, com base nesse documento, trabalhar para que eles sejam reduzidos. Há várias metodologias para fazer essa conta, que não é lá das mais fáceis. A mais utilizada no mundo hoje é a do GHG Protocol, que foi a escolhida pela FGV. Entre as companhias que vão passar pelo treinamento estão GOL Linhas Aéreas, Souza Cruz, Lojas Americanas e Oi.
Essa é a segunda fase do programa brasileiro do GHG Protocol, que começou há dois anos. Nesse período, 23 inventários de emissão foram publicados. Estão no primeiro grupo de empresas que adotou a metodologia no Brasil nomes como Ambev, Petrobras, Embraer, Boticário, Wal Mart, Sadia e a Editora Abril, que publica a EXAME.
Para obter mais informações sobre o GHG Protocol entrem no site http://ces.fgvsp.br/ e cliquem no link GHG no alto da página.

Fonte: Portal Exame

Energia eólica cresce no Brasil

Neste mês de maio o Conselho Global de Energia Eólica (GWEC) afirmou que a capacidade desse tipo de energia no Brasil cresceu mais do que o dobro da média mundial: 31%.
A capacidade de geração de energia eólica no Brasil aumentou 77,7% em 2009, em relação ao ano anterior. Com isso, o país passou a ter uma capacidade instalada de 606 megawatts (MW), contra os 341 MW de 2008.
O crescimento brasileiro foi maior, que o dos Estados Unidos (39%), da Índia (13%) e o da Europa (16%), mas inferior que o da China, cuja capacidade de geração ampliou-se em 107% e da média da América Latina, cujo aumento foi de 95%, puxado, em grande parte, pelas expansões de capacidade do México (137%), Chile (740%), da Costa Rica (67%) e Nicarágua (que saiu de zero para 40 MW).
O Brasil responde por cerca da metade da capacidade instalada na América Latina, mas representa apenas 0,38% do total mundial. Para o diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Pedro Perrelli, o desenvolvimento do parque eólico do país só não é maior porque o Brasil tem muita capacidade hidrelétrica instalada e potencial.
Segundo ele, apesar disso, o Brasil tem ainda muito terreno para crescer na energia eólica. A energia eólica é importante, porque ela é complementar a esse potencial hidráulico. Inclusive porque ela não consome água, que é um bem cada vez mais escasso e vai ficar cada vez mais controlado, disse Perrelli.
De acordo com a ABEEólica, a capacidade instalada de energia eólica no Brasil deve crescer ainda mais nos próximos anos. Isso porque um leilão realizado no ano passado comercializou 1.805 MW que devem ser entregues até 2012.

Mata fragmentada capta menos gás carbônico enquanto cresce

Um terço da mata atlântica que restou está em fragmentos de até 100 hectares
Depois que sofre fragmentação, a mata atlântica passa a absorver menos carbono da atmosfera. A conclusão é de um estudo feito por brasileiros e alemães que simularam a evolução de fragmentos de florestas por até 400 anos e compararam-na com a de áreas florestais mais extensas.
Atualmente, cerca de um terço da mata atlântica está preservada em fragmentos de até 100 hectares. A distância média entre os fragmentos é de 1,4 quilômetros. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, o bioma cobria originalmente 1.300.000 quilômetros quadrados (km²), englobando 17 estados brasileiros, mais porções do Paraguai e Argentina. Com a destruição, sobraram cerca de 20% da cobertura original.
A redução da absorção de carbono reflete-se no “peso” da floresta. A mata atlântica intocada contém 250 toneladas de biomassa por hectare (ha). Os pesquisadores descobriram que fragmentos de 100 ha, depois de 100 anos, terão 228 toneladas de biomassa por hectare, 8,8% menos. Já um fragmento de 1 ha tem uma redução de 44%, com apenas 140 toneladas de biomassa por hectare. Fragmentos com biomassa menor também têm menor variedade de espécies, pois possuem menos recursos para alimentar a fauna e menos ambientes onde animais possam habitar.
“A mata fragmentada é como uma criança doente, que não consegue engordar. Se a floresta não está bem, o acúmulo de gás carbônico é incompleto”, compara Jean Paul Metzger, professor do Instituto de Biociências (IB) da USP que cooperou com a pesquisa. O estudo foi feito pelo Centro Helmholtz para Pesquisa Ambiental (UFZ), da Alemanha, em parceria com o IB.
A biomassa diminui nas áreas fragmentadas por que elas sofrem mais com as perturbações que acontecem nas bordas da mata. Nessas regiões, chega mais luz e vento e há maior perturbação externa, como pisoteamento pelo gado e entrada de fogo. As árvores maiores acabam morrendo e são substituídas por espécies que conseguem sobreviver nessas condições. Essas plantas, chamadas pioneiras, absorvem menos carbono, têm menor biomassa e morrem mais rápido.
Outra causa da diminuição da biomassa é que as partes centrais dos fragmentos podem ficar isoladas. Nesta condição, a população de plantas de maior porte desaparece mais facilmente com doenças e catástrofes naturais, como inundações. A perda de espécies acontece, mas o processo é mais lento do que aquele da borda.
Simulação - Para chegar aos resultados, os pesquisadores construíram um programa de computador e simularam como a floresta afetada pela fragmentação se desenvolve durante 100 a 400 anos. Eles alimentaram o programa a partir de um banco de dados da USP com informações sobre árvores em fragmentos de mata atlântica localizados em Ibiúna (SP) e numa área de mata com cerca de 10 mil ha em Cotia (SP), a Reserva Florestal do Morro Grande. O banco de dados detalha as espécies, números de plantas, altura, características ecológicas de mais de 7 mil árvores. O programa consegue determinar a influência de fatores externos e internos na evolução da floresta.

Fonte: Nilbberth Silva – USP



Aumento do nível do mar no Brasil chega a 4 mm por ano

O Pesqueiro Marfrio foi contratado para coleta de dados em alto mar e de acordo com os dados coletados em portos ao longo da costa brasileira, o nível do mar está aumentando no Brasil cerca de 40 centímetros (cm) por século, ou 4 milímetros (mm) por ano (mm/ano). A constatação é do Laboratório de Marés e Processos Temporais Oceânicos (Maptolab) do Instituto Oceanográfico (IO) da USP que investiga as variações no nível do mar no litoral brasileiro, a partir de séries de medições que começaram em 1980. As análises dos dados são feitas por médias de variações diárias, médias sazonais e médias anuais do nível do mar, que permitem estimar a variação local de longo prazo.
O professor Afrânio Rubens de Mesquita, pesquisador do Maptolab, explica que as medições de nível do mar dependem de um conjunto de variáveis tais como: a variação do volume de água doce presente no mar decorrente do degelo; a variação da salinidade da água; a variação de temperatura decorrente do aquecimento global; a variação vertical da crosta em relação ao centro da Terra; a variação devido aos ventos e outros fenômenos atmosféricos; a variação oceanográfica decorrente das ondas e correntes oceânicas; a variação astronômica, devido ao Sol e a Lua (marés) e o posicionamento das órbitas dos planetas (causador das Glaciações) em relação à Terra, entre outras variáveis.
As medições do nível do mar da Costa Brasileira são feitas em estações permanentes distribuídas ao longo da costa por diferentes instituições: Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), Diretoria e Navegação (DHN) da Marinha do Brasil, Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o IO, que realiza, além das medições permanentes nas estações de Cananéia e de Ubatuba, no litoral Sul do Estado de São Paulo, medições de caráter não permanente em oceano profundo, ao longo da plataforma continental.
As medições feitas pela equipe do professor Mesquita na região de Cananéia, e publicadas em 2009, mostram um movimento de afundamento vertical da crosta na ordem de 0,11 cm por ano. Isso faz com que o nível do mar suba em relação à crosta a 0,38 cm por ano. “A variação de 0,38 cm por ano é preocupante e ameaça as praias, talvez, de toda a costa brasileira”, explica o pesquisador.
Outras séries de medições de nível do mar ao longo do litoral brasileiro indicam a mesma tendência de elevação de uma média de 40 cm por século, ou 4 mm por ano, que é mais evidente a partir dos anos 1960.
Sessão Capricórnio - O professor enumera várias dificuldades para se fazer essas medições em caráter global. Uma delas são as poucas estações de medições que há no hemisfério sul e os poucos recursos financeiros, que não permitem que medições de salinidade e de variação da temperatura da água sejam feitas ao longo da profundidade oceânica. Com essas medições seria possível estimar a razão com que, na atualidade, se dá a incorporação de água doce na região decorrente do degelo polar.
Para isso, o professor explica que é necessária a medição anual, durante um período mínimo de dez anos, na chamada Sessão Capricórnio, que é um conjunto de estações oceanográficas ao longo de uma radial oceânica (a partir de Santos até 500 quilômetros [Km] fora da costa), que permite a realização de medições ao longo da profundidade dos oceanos durante os dez anos do programa. “Não há dinheiro para que façamos essas medições todo ano e de forma contínua. Nossos pedidos de recursos junto a órgãos financiadores são constantemente negados, e isso atrasa o andamento e a qualidade das nossas medições e pesquisas sobre as variações do mar”, lamenta o professor.
“Estas medições profundas em mar aberto são mais limpas, livres de interferências geradas pelas correntes de marés junto à costa. Em comparação com medições feitas na costa, elas permitem o estudo mais acurado das componentes periódicas de natureza ‘astronômica’, que são ainda um grande enigma da Física nos dias de hoje”, explica o pesquisador.

Fonte: Paulo Roberto Andrade – USP

ONU: 3/4 da população mundial de peixes está em perigo

Uma conferência de cinco dias na sede da ONU em Nova York deve discutir a revisão da implementação de um acordo de 1995 que estabeleceu um regime jurídico para a conservação a longo prazo e utilização sustentável de espécies migratórias de peixes.
O encontro teve início ontem com um alerta da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação: pelo menos 3/4 da população mundial de peixes está em perigo e próxima ao esgotamento enquanto os ecossistemas marinhos continuam em deterioração.
Entre as espécies ameaçadas pela pesca predatória está o atum azul, um dos ingredientes principais do sushi. Encontrado nos oceanos Atlântico e Mediterrâneo, ele é apontado como uma das dez espécies com maior risco de extinção, de acordo com a World Wildlife Foundation (WWF). Uma proibição temporária da pesca desta espécie de atum, segundo cientistas, ajudaria a população dos peixes a voltar a um equilíbrio.
Segundo o subsecretário adjunto de Oceanos e Pescas dos Estados Unidos, David Balton, presidente da conferência, os principais temas do evento serão a pesca excessiva, os efeitos sobre o ambiente marinho e a necessidade de assistência aos países em desenvolvimento. As informações são da Rádio ONU.
As nações também terão oportunidade para considerar novas medidas para reforçar o acordo sobre o tema. O documento, que entrou em vigor em 2001 e tem 77 Estados partes, abrange espécies migratórias que se deslocam por longas distâncias, como atuns e tubarões oceânicos.
O acordo inclui ainda espécies de peixes dentro da zona econômica de Estados costeiros, como bacalhau e lulas. A conferência é aberta a todos os países e deve rever progressos sobre o tema desde 2006, ano da última revisão.

Fonte: Vanessa Barbosa – Portal Exame

Academia Nacional de Ciências Americana pede ação imediata contra as Mudanças Climáticas

Estudo publicado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos confirma as previsões do criticado IPCC e reforça evidências e riscos das mudanças climáticas. O levantamento foi encomendado à Academia Nacional de Ciências ainda durante o Governo Bush e resultou em um estudo abrangente sobre as mudanças climáticas, suas conseqüências, impactos e soluções. A iniciativa, chamada America’s Climate Choice, contou com a participação das principais instituições de pesquisa americanas.
O estudo foi publicado em três relatórios, Aprimorando a Ciência das Mudanças Climáticas, Limitando a Magnitude das Mudanças Climáticas e Adaptação às Mudanças Climáticas. O formato segue a mesma lógica das publicações do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). O lançamento oficial do estudo foi no último dia 19.
Os relatórios confirmam a conclusão do último relatório do IPCC, de 2007, de que as mudanças climáticas observadas nas últimas décadas estão relacionadas ao aumento das emissões antrópicas de gases de efeito estufa e apresentam ameaças reais a humanidade, a biodiversidade e aos ecossistemas. Os relatórios propõem também novos sistemas e procedimentos de aprimoramento à ciência das mudanças do clima e formas de se levar este conhecimento aos tomadores de decisão e aos indivíduos de forma mais simples e efetiva.
O estudo aponta para a necessidade de ações compartilhadas entre governo, empresas e sociedade com o objetivo de limitar as emissões de GEE e liderar o processo na busca de novas tecnologias rumo a uma economia de baixo carbono. Além disso, ele alerta que a inação agora levará a maiores custos no futuro, o que reforça as conclusões do IPCC e do Stern Review.
A necessidade de redução de emissões entre 2012-2050 esta na ordem de 170 a 200 GtCO2, o que vai ao encontra da proposta apresentada pela administração Obama e a lei em tramitação no senado. O relatório não define a forma de alcançar estas reduções, mas aponta que um sistema de precificação de carbono (taxação ou mercado) é o mais indicado e que dentro de um limite prefixado de emissões, o sistema de mercado (cap-and-trade) é mais recomendado. Ademais, é apontado que este sistema de precificação deve ser complementado por políticas públicas específicas, como o desenvolvimento de novas tecnologias, pesquisas em energias renováveis, nuclear e CCS (Carbon Capture and Storage Systems), entre outras.
Finalmente, o relatório aponta para a necessidade de aprimoramento do conhecimento sobre os impactos da mudança do clima em nível regional e local, para assim ser possível delinear estratégias para mitigar os riscos identificados.
O momento não poderia ser melhor, pois ao mesmo tempo reforça a credibilidade do criticado Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e “da munição” aos proponentes e incentivadores da Lei Climática Americana em tramitação no senado.

Fonte: Natalia Pasishnyk – Portal Exame





quinta-feira, 20 de maio de 2010

Brasil lidera ranking dos países que causam maior impacto ao meio ambiente

Foi publicado em 9 de maio na revista científica PloS One um estudo produzida por pesquisadores da Universidade de Adelaide, Austrália, onde o Brasil lidera o ranking dos países que mais causam danos ambientais. A pesquisa, intitulada “Evaluating the Relative Environmental Impact of Countries”, comparou o estado da degradação do meio ambiente em mais de 170 países, utilizando critérios variados, como crescimento demográfico, desmatamento, poluição marinha e perda da biodiversidade, o documento apresenta dois rankings de países que mais causam impactos à natureza.
De acordo com os autores, o objetivo do ranking é identificar as nações mais bem sucedidas na condução de políticas para reduzir a degradação ambiental, e também apontar as políticas que falharam. Eles afirmam que o objetivo do estudoi é apresentar métricas simples para medir os impactos ambientais – absolutos ou proporcionais – dos países.
Em uma das listas, a que considera o impacto ambiental de maneira absoluta, isto é, sem considerar o tamanho do país ou a quantidade de recursos naturais disponíveis, o Brasil foi classificado como o país que causa mais impacto no meio ambiente. O fator predominante para esta consideração é o desmatamento. O Brasil é o primeiro no critério de perda de floresta natural e o terceiro em conversão do habitat natural, além de ser classificado como quarto no total de espécies ameaçadas e na quantidade de emissões de CO2.
O artigo cita que os países mais populosos e economicamente influentes tiveram o maior impacto ambiental absoluto, os 10 países com pior classificação foram: Brasil, EUA, China, Indonésia, Japão, México, Índia, Rússia, Austrália e Peru.
Na segunda lista classifica os países levando em conta seu impacto proporcional ao total de recursos naturais presentes em cada país. Nessa classificação, o Brasil não aparece entre os 20 piores. Para o estudo os 10 países que lideram este ranking são: Cingapura, Coréia, Qatar, Kuwait, Japão, Tailândia, Bahrain, Malásia, Filipinas e Holanda.
O estudo é finalizado mostrando que a comunidade mundial deve incentivar os países menos desenvolvidos a um melhor desempenho ambiental, especialmente na Ásia, devido seis países asiáticos aparecem no topo, tanto da lista proporcional quanto daquela que avalia o impacto ambiental absoluto: China, Indonésia, Japão, Malásia, Tailândia e Filipinas.