sábado, 24 de abril de 2010

Biocombustíveis causam quatro vezes mais emissões de CO2 que a gasolina comum

O impacto analisado pelo estudo da Comissão Europeia não leva apenas em conta a queima do combustível, mas todo o processo envolvido na produção
Combustíveis feitos a partir de soja têm o poder de causar quatro vezes mais impacto no ambiente que a gasolina ou diesel comum. A novidade faz parte de um relatório da Comissão Europeia, segundo o jornal Telegraph de quinta-feira (22).
A emissão quatro vezes maior de CO2 (dióxido de carbono), um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa, é mais uma polêmica que envolve a produção de biocombustíveis. Esse tipo de produto é considerado por muitos especialistas como responsável por provocar escassez de alimentos nos países onde as áreas de plantio para arroz e trigo passaram a ser substituídas por campos de soja ou cana-de-açúcar.
O problema se agrava nos Estados Unidos porque a terra usada na produção de soja para alimentação animal está sendo agora ocupada com foco na demanda pelos biocombustíveis, fazendo com que sejam necessárias mais espaços para o plantio em grandes países exportadores, como o Brasil.
As menores emissões indiretas são as que acontecem a partir do bioetanol feito com cana-de-açúcar ou beterraba e óleo de palma do sudoeste asiático, mas mesmo assim causam danos por muitas vezes estarem ligadas ao desmatamento.
O relatório indica que o assunto é complexo e exige mais análises, mas Kenneth Richter, da ONG (Organização Não Governamental) Amigos da Terra, a conclusão é que os biocombustíveis não são a resposta para combater as alterações climáticas. “A maioria dos processos usados na produção dos biocombustíveis produz mais emissões que os combustíveis fósseis, portanto as ações que estão em curso na Europa deveriam ser feitas de maneira diferente.”
A União Europeia estabeleceu uma meta de substituir pelo menos 10% dos combustíveis mais comuns por aqueles baseados em fontes renováveis até 2020.

Fonte: Portal R7



Acordo propõe legalizar a caça às baleias

A próxima reunião da Comissão Internacional da Baleia (CIB) vai discutir um acordo que pode legitimar a atividade de países que capturam esses mamíferos marinhos, após 25 anos de moratória à caça comercial. Articulada pelos EUA e pela presidência da entidade, a proposta tem como alvo o Japão, nação que mais mata esses cetáceos hoje, mas alega fazê-lo com fim científico. A intenção é dar uma cota oficial de caça aos japoneses, os quais, em troca, aceitariam reduzir o número de animais mortos e se abririam à fiscalização.
“Como resultado disso, vários milhares de baleias a menos seriam mortos no período do acordo”, disse ontem em comunicado o presidente da CIB, o chileno Cristián Maquieira, que defende uma vigência inicial de dez anos para as regras.
A proposta lançada mantém só oficialmente a moratória, mas dá à CIB o poder limitar a cota de caça de todos os países. A fiscalização seria feita com amostras de DNA para rastrear o destino da carne dos animais, e aborígenes continuariam podendo caçar para subsistência.
O pré-acordo, por enquanto, foi discutido só a portas fechadas por um grupo de 12 países, que inclui o Brasil, sem consenso. O debate aberto só vai ocorrer no próximo encontro dos 88 países da CIB, que começa dia 30 de maio em Marrocos.
Apesar de, na prática, permitir uma redução real no número de baleias mortas, a mera sugestão abrir margem legal à caça comercial tem recebido críticas pesadas de ambientalistas. “A proposta de acordo é muito ruim”, diz José Truda Jr., que participa de um grupo de ONGs latinoamericanas que critica Maquieira. “Não é hora de recompensar o Japão institucionalizando suas capturas.”
O governo do Brasil ainda não tem uma posição sobre a proposta, e deve assumi-la só depois da discussão com outros países da América Latina, que votam em bloco para ganhar peso diplomático na CIB.
“Vamos ver o que é possível ter de entendimento, mas o Brasil é muito claramente a favor da moratória e contra a caça no santuário [do oceano Austral]“, diz Fábio Pitaluga, representante do país na comissão.
Hoje, o Japão anuncia unilateralmente sua cota anual de caça “científica”, que supera mil baleias, a maioria delas da espécie minke do oceano Austral. A carne desses animais, porém, é vendida sem restrição em território japonês. Os outros países que praticam caça industrial são Noruega e Islândia, mas nenhum dos dois assinou a moratória de 1986.
Não está claro, porém, qual preço os países conservacionistas estão dispostos a pagar para aceitar endossar a caça japonesa. A agência de notícias Kyodo noticia que o Japão proporá reduzir sua cota máxima de baleias-minkes do oceano Austral de 935 a 440. Neste ano, o país saiu com o objetivo de arpoar pelo menos 765 animais, mas só conseguiu atingir 507, por causa das ações da ONG ambientalista Sea Shepherd.
É difícil saber quantos animais precisariam ser salvos para manter a população num nível seguro. Segundo Alexandre Zerbini, biólogo do comitê científico da CIB, o número de baleias-minkes no oceano Austral foi estimado em 700 mil no início da década de 1990, mas caiu para 300 mil nos anos 2000. Não está claro se foi pela caça. “Qualquer coisa que você puder fazer para diminuir a captura é bom”, diz Zerbini sobre a tentativa de acordo.

Fonte: Rafael Garcia e Reinaldo José Lopes/ Folha Online



Governo lança pré-edital de concessão de floresta no Pará

O Serviço Florestal Brasileiro (SFB), do Ministério do Meio Ambiente, lançou o pré-edital de concessão para a Floresta Nacional do Amana, no Pará. Serão disponibilizados 210 mil hectares para a extração de madeira de forma legal e sustentável. A área equivale a 1,3 vezes a do município de São Paulo.
A medida faz parte da estratégia do governo federal para reduzir o desmatamento, evitar a grilagem de terras, estimular a extração legal de madeira na Amazônia e estabelecer uma economia baseada no uso sustentado da floresta. A iniciativa é a primeira de uma série de ações desse tipo previstas para a região de influência da BR-163.
“A concessão é o principal instrumento para desenvolver a economia de base florestal com geração de renda e a manutenção da floresta em pé”, disse o diretor-geral do SFB, Antônio Carlos Hummel.
A floresta do Amana fica no oeste do Pará e faz parte dos municípios de Itaituba e Jacareacanga. A área foi dividida em cinco unidades de diferentes tamanhos para dar chance a diversos empreendedores. A concorrência pública para exploração da floresta é aberta a empresas, cooperativas e associações.
Estima-se que a produção de madeira no local chegue a 150 mil metros cúbicos por ano e seja responsável por uma arrecadação anual em torno de R$ 6,7 milhões. Este valor será repartido entre União, estado e municípios e deve ser aplicado em ações de conservação, manejo e uso sustentável das florestas.
De acordo com o gerente de concessões do SFB, Marcelo Arguelles, os benefícios socioeconômicos vão muito além do valor arrecadado pela União. “Gera circulação, nos municípios abrangidos pela floresta, de cerca R$ 50 milhões anuais nos setores associados à atividade florestal.”
Além de madeira, os vencedores poderão extrair outros produtos, como látex, cascas, cipós, óleos, frutos e sementes. Além disso, eles terão a possibilidade de implantar infraestrutura para expandir o turismo, por meio de atividades como os esportes de aventura e a visitação à região. O SFB projeta a criação de cerca de 1.700 empregos diretos e indiretos com a concessão da área.

Fonte: Agência Brasil



Chuva afeta cerca de cem mil pessoas em Santa Catarina e no Paraná

A chuva que desde quinta-feira (22) atinge os estados do Paraná e de Santa Catarina afetou cerca de cem mil pessoas. De acordo com balanços divulgados pela Defesa Civil dos dois estados nesta sexta-feira (23), 98.323 pessoas foram prejudicadas pelos temporais.
No Paraná, mais de 5,5 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas. Somente na região de Curitiba, 45 mil consumidores ficaram sem luz. Ruas ficaram alagadas, casas foram destelhadas e dois imóveis desabaram.
O temporal deixou 3,9 mil desalojados e 300 desabrigados em Colombo (PR). Várias regiões da cidade foram inundadas. Muitas pessoas também tiveram de sair de casa no município de Francisco Beltrão (PR), que tem 400 desabrigados e 450 desalojados.
O município de Cascavel (PR) foi atingido por fortes rajadas de vento na madrugada desta sexta-feira. O aeroporto da cidade teve o telhado completamente arrancado. O vento chegou a arrastar uma aeronave.
Em General Carneiro (PR), o nível da água chegou a um metro e meio no Centro da cidade e 150 pessoas foram para casas de amigos e parentes. Em Almirante Tamandaré (PR), duas casas desabaram. Ninguém ficou ferido.
Em Santa Catarina, mais de 2.250 pessoas tiveram de sair de casa. O estado tem 2.204 desalojados e 203 desabrigados.
De acordo com a Defesa Civil, cinco municípios catarinenses decretaram estado de emergência: Matos Costa, Caçador, Rio das Antas, Lebon Régis e Timbó Grande. Há problemas no abastecimento de água e energia.
Em Videira, alagamentos deixaram 150 desalojados e 80 desabrigados. Em Caçador, a Defesa Civil já enviou cestas básicas e materiais de limpeza para auxiliar 400 famílias atingidas pelas chuvas.

Fonte: G1



Nova York/EUA celebra 40 anos do Dia da Terra com festa e leilão

Nova York (EUA) comemorou nesta quinta-feira (22) os 40 anos do Dia da Terra com um evento na Times Square e um leilão, patrocinado por celebridades em apoio à causa ecológica global.
“Fizemos muitos avanços para melhorar nosso meio ambiente”, disse o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. “Mas ainda há muito por fazer”, acrescentou.
Na Times Square, área recentemente transformada em zona de pedestres, Bloomberg comemorou a data ao lado de vários artistas, do grupo de reggae ‘The Wailers’ e ao som de temas do musical “Hair”, em referência aos anos 1970, quando surgiu o movimento ambientalista.
Bloomberg apresentou os feitos do plano adotado há três anos com a ambiciosa meta de transformar Nova York em uma cidade “verde”.
No leilão realizado pela Casa Christie’s em benefício de quatro ONGs de defesa do meio ambiente, uma partida de golfe com o ex-presidente Bill Clinton arrecadou 80 mil dólares.
O jogo com Bill Clinton no Briarcliff Manor (Estado de Nova York) era um dos 21 lotes leiloados e triplicou o lance previsto, provocando aplausos para a mulher que fez a proposta vencedora.
Um final de semana em Nova York para uma garota “fashion”, no mais puro estilo “Sex and the City”, foi arrematado por 26 mil dólares, e o convite para uma festa em Los Angeles com celebridades de Hollywood obteve 60 mil dólares.
“A viagem de sua vida”, oferecida pela Singapore Airlines e avaliada em 200 mil dólares, recebeu apenas 55 mil dólares, e um safari fotográfico em Botswana para seis pessoas, dirigido por Chris John, editor da National Geographic, não encontrou comprador. O item estava avaliado em 200 mil dólares.
Celebrado pela primeira vez em 22 de abril de 1970, o Dia da Terra marcou, há 40 anos, o nascimento do movimento ecologista em escala global.
No ano passado, a ONU proclamou a data “Dia Internacional da Mãe Terra”, uma iniciativa impulsionada pelo presidente boliviano, Evo Morales.

Fonte: G1



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Resumo diário de notícias ambientais em 23 de abril de 2010

Dia 23 de abril está repleto de notícias sobre o meio ambiente, algumas delas já são rotineiras e outras surpreendente, seja pela “maldade” do bicho homem, ou seja, pelas novas descobertas e atitudes que valem à pena.
Sobre o polêmico Relatório do IPCC de 2007 sobre as previsões no mundo ocasionado pelas mudanças climáticas, que vem sendo questionado por erros contidos no relatório, recebeu mais uma afirmação sobre um novo erro. O IPCC afirmou que a elevação de um metro no nível do mar inundaria 17% de Bangladesh até 2050, transformando 20 milhões de pessoas em refugiados. A previsão do órgão, porém ignorou o papel que os sedimentos desempenham para contrabalançar a elevação dos níveis do mar. De acordo com o novo estudo, financiado pelo Banco de Desenvolvimento Asiático, as previsões do IPCC não levam em conta as toneladas de sedimento – cerca de 1 bilhão – carregadas pelos rios do Himalaia até Bangladesh todos os anos. Vale apenas ressaltar pessoal que por mais que possa haver erros nas previsões por não avaliar a questão citada acima, os efeitos climáticos ocorrem todos os dias, e com proporções maiores. O homem deve ter o conhecimento real do quão forte é a natureza para se equilibrar e se “defender” de ações contra ela.
Ainda sobre mudanças climáticas, o Instituto de Pesquisa de Impactos Climáticos de Potsdam publicou no periódico “Nature” que o Acordo de Copenhague é incapaz de manter o aquecimento global em 2ºC, seu objetivo declarado. Na verdade, argumentam, ele pode produzir o efeito inverso: fazer as emissões globais subirem e com elas os termômetros. Os cientistas alemães se basearam nas promessas de corte de emissões feitas até o último dia 13 por 76 países que aderiram ao acordo, produzido na cúpula do clima de dezembro passado. A conclusão dos resultados é que o mundo chegará a 2020 com emissões anuais de 47,9 bilhões a 53,6 bilhões de toneladas de gás carbônico, porém para ter uma chance igual ou maior do que 50% de manter o aquecimento num máximo de 2ºC, as emissões anuais máximas teriam de ser de 44 bilhões de toneladas.
A “novela mexicana” sobre a Construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte continua a todo vapor. A Procuradoria Regional da República da 1ª Região apresentou na quinta-feira (22) um recurso contra a segunda suspensão da liminar que impedia o leilão da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. A suspensão foi expedida na última terça-feira (20) pelo presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, Jirair Megueriam, e permitiu que o leilão fosse realizado no mesmo dia pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Se o recurso do Ministério Público Federal (MPF) for aceito, o leilão de Belo Monte pode ser anulado. O recurso já foi recebido pelo TRF, mas ainda não há previsão de julgamento dos dois pedidos do Ministério Público. Já Lula, tem demonstrado ser questão de honra a construção, ou melhor, a decisão da construção da hidrelétrica ser no seu mandato, tanto que anunciou ontem, que a Usina será construída mesmo sem a participação de empresas privadas.
O Brasil vem sendo “castigado” desde o início do ano com as chuvas intensas, agora é o Estado do Paraná, deixando cerca de 400 pessoas fora de casa. De acordo com a Defesa Civil, choveu, em 24 horas, 113 milímetros, volume previsto para todo o mês de abril. Enquanto a região sul do Estado sofre com chuva intensa, a região norte enfrenta queimadas. Desde o início do ano, o Paraná já registrou mais de 2,4 mil queimadas. A maior parte delas, mais de 1,8 mil ocorrências, segundo o Corpo de Bombeiros, foi registrada nos meses de março e abril. As causas mais comuns para os incêndios ambientais são as queimadas agrícolas, o fogo usado para queimar lixo doméstico, ou fogo usado para limpeza de terrenos.
Os índios da Aldeia Taperera, no Amazonas, preocupados com a sobrevivência da floresta e deles próprios, criaram uma Cartilha Ambiental sobre Mudanças Climáticas e Povos Indígenas que será distribuído nas aldeias da região, o projeto foi supervisionado pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).
Quando pensamos que a situação está ruim, recebemos uma notícias que mostra estar pior ainda. Uma nova pesquisa, que investigou o crescente problema da poluição por nitrogênio, indica que as taxas globais de nitrogênio e de carbono no meio ambiente estão intimamente ligadas. Para os autores, o estudo pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias para ajudar a mitigar problemas regionais que vão de corpos d’água contaminados a impactos na saúde humana. O trabalho foi publicado na edição desta quinta-feira (22) da revista Nature.
Finalizando, temos a notícia intrigante de que o cocô de baleia ajuda a seqüestrar carbono no mar. De acordo com o estudo, os excrementos despejam enormes quantidades de ferro no mar, o que impulsiona o crescimento do fitoplâncton, sequestrador de carbono. Agora basta conseguirmos convencer os japoneses que é sustentável deixar as baleias em paz no oceano para ajudar a salvar o planeta.



Economista defende criação de agência reguladora para tratar de mudanças climáticas

O economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Ronaldo Motta afirmou na quinta-feira (22) que o marco regulatório nacional sobre mudanças climáticas é frágil e que é fundamental a criação de uma agência reguladora para tratar o tema.
“O marco regulatório é frágil, deixou lacunas. Precisa ser definida uma estrutura de governança. Não existe uma agência reguladora”, disse Motta que participou hoje (22) da apresentação do documento Perspectivas Sobre as Negociações de Mudança Climática e Seus Impactos na Política Brasileira.
A Lei 12.187, aprovada em dezembro de 2009, instituiu a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), o marco regulatório do setor, mas ainda precisa ser regulamentada pelo Congresso Nacional.
Segundo Motta, falta incentivo para os setores econômicos que deverão cumprir as metas assumidas pelo Brasil para a redução de emissão de dióxido de carbono (CO2) o que poderia ser implementado com a criação da agência.
“Se há um compromisso do Brasil e haverá metas que deverão ser cumpridas pelos setores e isto está sendo compulsório é porque o mercado não oferece incentivo. [Alguns setores poderão pensar] Por que fazer uma redução do efeito estufa para salvar o mundo e prejudicar meus lucros?”, destaca.
Segundo dados do Ipea, a maior parte das emissões de CO2 no Brasil são provenientes do desmatamento, responsável por 76% das emissões. Já a queima de combustível, causa número um nos países desenvolvidos, é a segunda colocada, mas representa apenas 9% das emissões.
“O Brasil se comprometeu a reduzir 38,9% as emissões até 2020, deste percentual 24,7% é redução do desmatamento, sendo 80% da Amazônia e 40% do Cerrado. Esta característica nacional torna menos onerosa a redução das emissões, além de não ameaçar o desenvolvimento econômico do país” , afirma a técnica do Ipea Maria Bernadete Gutierrez.
O relatório do Ipea salienta que, apesar de a Conferência de Copenhague não ter atingido seus objetivos de forma plena, o evento foi um marco histórico, pois a comunidade mundial nunca tinha dado tanta ênfase no combate às mudanças climáticas.
“Apesar do fracasso de Copenhague, a sustentabilidade ambiental passou a ser vista como central”, disse, o assessor técnico da presidência do Ipea, Albino Alvarez.

Fonte: Lisiane Wandscheer/ Agência Brasil

Estudo em Bangladesh aponta novo erro de painel do clima da ONU

Cientistas de Bangladesh fizeram um novo desafio ao IPCC (painel climático da ONU), afirmando que as previsões apocalípticas do órgão para o país asiático foram exageradas.

O IPCC, que já esteve sob fogo por causa de outros erros em seu relatório de 2007, afirmou que a elevação de um metro no nível do mar inundaria 17% de Bangladesh até 2050, transformando 20 milhões de pessoas em refugiados.

O aviso ajudou a criar um consenso amplo de que o país, que quase não tem áreas elevadas, estava na “linha de fogo” da mudança climática. Mas um novo estudo argumenta que o IPCC ignorou o papel que os sedimentos desempenham para contrabalançar a elevação dos níveis do mar.

Rajendra Pachauri, indiano que coordena o IPCC, defendeu as previsões de sua organização, advertindo que “não se pode traçar conclusões com base em um único estudo. O IPCC avalia um espectro de publicações antes de adotar uma visão equilibrada sobre o que provavelmente vai ocorrer”.

Toneladas – Segundo o novo estudo, financiado pelo Banco de Desenvolvimento Asiático, as previsões do IPCC não levam em conta as toneladas de sedimento – cerca de 1 bilhão – carregadas pelos rios do Himalaia até Bangladesh todos os anos.

“Os sedimentos moldam a costa de Bangladesh há milhares de anos”, disse Maminul Haque Sarker, diretor do Cegis (sigla inglesa de Centro de Serviços de Informações Ambientais e Geográficas), que coordenou a pesquisa. “Os estudos sobre os efeitos da mudança climática em Bangladesh, inclusive os citados pelo IPCC, não consideram o papel dos sedimentos no crescimento e nos processos de ajuste da costa e dos rios do país.”

Mesmo se a elevação do nível do mar chegar a um metro, o novo estudo indica que a maior parte da costa de Bangladesh continuará intacta, diz Sarker. “A maior parte da costa, em especial o estuário de Meghna, que é um dos maiores do mundo, deve se erguer no mesmo ritmo que o aumento do nível do mar. O grande desafio será descobrir como gerenciar esses depósitos de sedimentos e usá-los para ajudar Bangladesh a enfrentar os efeitos da mudança climática.”

As predições anteriores do Cegis sobre o número de pessoas que provavelmente ficarão sem teto todo ano por causa de enchentes nos dois principais rios himalaios, o Ganges e o Brahmaputra, tiveram precisão de 70%, de acordo com avaliação feita pelo próprio centro.

A reputação do IPCC recebeu o primeiro golpe sério quando se revelou que uma das previsões citadas pelo órgão, sobre o derretimento das geleiras do Himalaia em 2035, revelou ter sido tirada de uma reportagem – portanto, sem base científica.

De acordo com Pachauri, o erro não deveria afetar o fato de que as conclusões do IPCC são “robustas e confiáveis”. “A ciência está evoluindo. Em algumas partes do mundo, não há pesquisa suficiente, então ficamos contentes com esse novo estudo.



Fonte: Folha Online