quinta-feira, 11 de março de 2010

Moradores do litoral de PB e MA gastam até R$ 8.000 para conter maré alta

Moradores de Baía da Traição (91 km de João Pessoa), na Paraíba, estão gastando até R$ 8.000 por ano para manter muros construídos para proteger suas casas da maré alta. Foi o caso de Edilma da Silva, cuja casa fica na beira da praia. "Quando o mar está alto, o muro afunda. A gente só faz consertar." Por isso, ela teve de refazer o muro.
Já a balconista Renata Lima, que mora com a mãe em uma casa à beira-mar, disse que há um ano gastou R$ 5.000 para refazer o muro de pedra e cimento destruído pelas ondas. "Quem tem condições, constrói o muro. Quem não tem, vê a água chegar", disse Lima.
Segundo a Defesa Civil do município, cerca de 800 casas estão ameaçadas pelo mar, sendo que 66 já sofreram danos externos como queda de muros e erosão de varandas. Cinco casas já ruíram parcialmente. A praça de eventos do município já está parcialmente destruída pela maré alta.
Em outubro passado, o prefeito José Alberto Dias Freire (PMDB) decretou situação de emergência devido ao avanço do mar na cidade. Segundo ele, nos últimos 30 anos o mar vem avançando sobre a costa e erodindo a praia. O prefeito quer ajuda do governo federal para executar obras que minimizem a força da maré.
Em São Luís (MA), comerciantes da praia Ponta da Areia estão colocando sacos de cimento e areia para evitar a força da maré alta, comum nesta época do ano.
Segundo a Defesa Civil do Estado, as ondas ameaçam construções irregulares.
O professor Márcio Vaz, do Departamento de Oceanografia da UFMA (Universidade Federal do Maranhão), disse que as marés são historicamente mais altas nos meses de março e setembro, quando ocorrem os equinócios (período em que o sol se aproxima da linha do equador). Nestes meses, o efeito fica ainda mais intenso nos períodos de lua cheia e nova.
Segundo o professor, a situação tem se agravado pois a praia da Ponta da Areia está sofrendo um processo de erosão provocado por obras feitas em um estuário próximo. Com o estreitamento da praia, a maré alta chega mais próxima às áreas habitadas, provocando eventuais danos.

Fonte: Folha Online

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